
Não é comum acontecer acidente aéreos, mas quando acontece principalmente para quem vive nas nuvens, fazendo inclusive a rota do acontecido, afirmo, chega a ser assustador.
Mas por incrível que possa parecer, considerando estatísticas publicadas, que eu li em algum lugar, a probabilidade de um passageiro morrer por acidente aéreo é de 1 para 1 milhão.
Ainda por estatísticas, se um passageiro embarcasse ao acaso em um vôo, uma vez ao dia, todos os dias, ele levaria 21 mil anos para morrer de algum acidente.
Mas aconteceu esta tragédia com o Airbus da Air France, justamente numa rota em que nunca houve um acidente em pleno vôo de cruzeiro. O que terá acontecido?
Em treinamentos internos sempre ouvi que turbulência não derruba avião. Mas será que o prazo de validade dessa consideração já não teria expirado.
Na noite em que o avião da Air France desapareceu dos radares, a frente intertropical que atua sobre o Atlântico estava um tanto nervosa.
Dias antes, foi noticiado pela TV que uma barragem tinha se rompido no Piauí. Incrível, mas este Estado que sempre foi associado a uma situação de seca, agora deu para sofrer com enchentes. O que eu quero dizer é que talvez a aviação devesse começar a pensar em usar outros parâmetros para lidar com essa "nova natureza" que se apresenta.
Se aviões hoje são orientados a passar a coisa de umas 20 ou 30 milhas de distância das famigeradas cumulus nimbus, que são as nuvens carregadas de eletricidade e água que podem derrubar uma aeronave de grande porte, quem sabe, dadas as conseqüências climáticas do aquecimento global, já não fosse o caso de ir estudando a possibilidade de alargar essa distância para 50 ou 60 milhas?
O mundo esta em transformação, a natureza esta se manifestando e sua força é incomensurável.
Este acontecimento trágico, que deixou famílias do Brasil, da França e de muitos outros países enlutadas pela perda de pessoas queridas, tem haver com estas mudanças climáticas. A natureza esta revoltada com o desleixo do mundo em seu todo.
Diante das noticias, me fixei muito no menino inglês Alexander Bjoroy, de 11 anos, que estava desacompanhado no vôo AF 447. Alex tinha passado um período de férias com os pais que moram no Brasil e voltava para a escola na Inglaterra. Viajar sozinho de avião com essa idade, apesar de todos os paparicos recebidos das aeromoças, a falta do amparo dos pais é uma sensação desconcertante para uma criança.
Fico acreditando que Alex tenha encontrado alguém em quem se apoiar e que não tenha tido tempo de experimentar medo ou sentir-se abandonado. Por uma questão de empatia, para mim ele se tornou o meu passageiro símbolo do vôo 447.
O pessoal de bordo é treinado, sobretudo para cuidar da segurança e do bem-estar dos passageiros. Servir o jantar é apenas acessório. Pois eu quero crer que, quando as
coisas começaram a dar errado no vôo da Air France, um dos comissários tenha se disposto a sentar com o menino e a envolvê-lo nos braços.
> > Amo todos vocês
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